O Contato com petróleo e os danos à saúde. Desastre ambiental no Nordeste

 Representantes de estados atingidos pelo vazamento de petróleo reclamaram, nesta quinta-feira (17), do que chamam de reação demorada do Governo Federal. Ainda no mesmo dia, as manchas chegaram à Baía de Todos os Santos, a maior do Brasil.
Vera Cruz, uma ilha localizada na Baía-de-todos-os-santos, onde muitas comunidades sobrevivem da pesca foi vitimada pelo desastre ocorrido no Nordeste. Agentes públicos e Voluntários se uniram com o intuito de amenizar a situação com uma ação de limpeza na praia. Quase 180 praias do Nordeste já foram afetada pelo óleo. O governo de Pernambuco sobrevoou o litoral do estado e não encontrou manchas, mas, encontrou óleo na praia da Peroba, em Alagoa, e prometeu ajuda nas ações de remoção do óleo.
Ambientalistas e parlamentares criticaram o que consideram uma reação atrasada do governo e reclamaram da falta de diálogo com os estados afetados. De acordo com o ministro Ricardo Sales, todos os órgãos ambientais estão trabalhando incessantemente no monitoramento desde o início de Setembro.
infelizmente esse desastre afetará a economia nos estados do Nordeste onde barraqueiros, donos de hotéis, e pousadas, comerciantes e dentre outras classes de pessoas que dependem do turismo para sobrevivência terão as suas rendas afetadas. Já os pescadores e marisqueiros que dependem da pesca para sobreviverem, de acordo com o jornal folha de São Paulo, o Governo vai antecipar ajuda a pescadores afetados por mancha de óleo. "Seguro-defeso é auxílio dado a pescadores no período de paralisação da atividade para reprodução das espécies".
A praia de Imbassai, que fica na linha verde, litoral baiano, também foi atingida pelo petróleo. Uma filmagem feita com um ultraleve mostra o tamanho da mancha que é trazida pelas correntes marítimas. Voluntários se reuniram nessa tarde de quarta feira (16) para ajudar na remoção do óleo.
Com aproximadamente seis quilômetros de extensão, essa bela praia é considerada uma ótima opção para os que buscam tranquilidade. Cercada por diversos coqueiros, é o lugar ideal para relaxar e repor as energias. Conta com uma grande faixa de areia alaranjada e fofa, o mar é de águas cristalinas e agitadas, com boas ondas. Diferente de outras praias, essa conta ainda com a passagem do Rio Imbassai, oferecendo ao visitante a opção de tomar banho de mar ou dar um revigorante mergulho em água doce. O lugar possui boa infraestrutura, com pousadas e restaurantes próximos.
A presença da manchas de óleo no litoral nordestino foi notada no fim de agosto. A primeira localidade onde, segundo o relatório do Ibama, a contaminação foi comunicada, fica na Praia Bela, em Pitimbu (PB), onde os fragmentos de óleo foram avistados no dia 30 de agosto. A partir daí, a substância escura e pegajosa se espalhou pelos nove estados do Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe). O governo do estado já decretou situação de emergência.
A notícia mais recente do caso foi publicada hoje (17) pelo jornal Correios 24 horas, onde a fonte da notícia explica o possível local de origem do óleo que provocou esse caos ambiental nas praias e rios do nordeste:
Em meio aos mistérios da origem do óleo que invade as praias do Nordeste, tendo sido recolhido em Salvador, apenas nesta quinta-feira (17), mais de 47 toneladas do material, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apontaram o que seria o ponto de origem dos vazamentos.
O local provável seria numa área entre 600 km e 700 km da costa brasileira, numa faixa de latitude com centro na fronteira entre Sergipe e Alagoas. As informações são do jornal O Globo.
A área foi determinada por pesquisadores da Coppe, o centro de pós-graduação em engenharia da UFRJ, com uma simulação de computador.
A pedido da Marinha, os pesquisadores Luiz Landau e Luiz Paulo Assad rodaram um modelo matemático de correntes marinhas no Atlântico e cruzaram os dados com o mapa de manchas de óleo encontradas na costa do Nordeste.
Ao inverterem o sentido temporal do modelo de computador, a partir dos pontos de destino do óleo fragmentado, chegaram a uma estimativa sobre sua origem.
O centro da área apontada pelos cientistas fica fora da zona econômica exclusiva do Brasil, em águas internacionais.
"A gente estava interessado em entender a origem desse descarte ou vazamento de óleo", disse Landau ao O Globo. "A gente já encerrou essa parte da análise, que já foi entregue para a Marinha. Na semana que vem vamos começar a trabalhar em tentar entender como vai ser a dispersão do óleo daqui para frente", complementou.
De acordo com os pesquisadores, a estimativa da provável origem do vazamento não pode ser rastreada a uma área menor, porque é difícil saber quando exatamente cada mancha chegou em cada praia do Nordeste.
As datas oferecidas pelo Ibama são referentes ao momento em que o óleo foi detectado e notificado, não necessariamente ao instante em que cada praia recebeu o material.
"Além disso, existe muita incerteza com relação à trajetória do óleo, porque ele correu abaixo da superfície, o que dificulta muito a analise", afirma Assad.  "Não sabemos quanto tempo esse óleo demorou para 'intemperizar', ou seja, sofrer processos de mudanças da características físico-químicas para entrar abaixo na coluna d'água", continuou.
Segundo os pesquisadores, agora que os dados estão nas mãos da Marinha, eles esperam que a pesquisa contribua para o rastreamento de embarcações que podem ter sido responsáveis pelo incidente.
Landau afirma que, em princípio, é possível também tentar estimar quanto tempo durou a liberação do óleo, o que poderia ajudar a responder se o vazamento foi pontual ou gradual, e se ainda persiste. Para isso, porém, seria preciso processar mais dados. As informações são do O Globo. (Fonte: Correios).
Danos que o petróleo pode causar à saúde
Quem entra em contato com o óleo pode ter diversos problemas, ainda não compreendidos totalmente pelos cientistas. O petróleo bruto é uma complexa mistura de substâncias, que incluí os mais perigosos produtos químicos. As pesquisas costumam avaliar os danos de cada um dos elementos separadamente.
"Muitas dessas substâncias são neurotoxinas, significa que afetam o cérebro", diz Tracey Woodruff, professor e diretor do Programa de Saúde Reprodutiva e do Ambiente na Universidade da Califórnia ao site DiscoveryNews. O óleo bruto contém substâncias como benzeno, tolueno e xilenos – também encontradas na gasolina – que causam sensações de vertigem, euforia, náusea, visão embaçada e dor de cabeça. Os sintomas são muito parecidos com os de um caso grave de envenenamento por álcool. 
A longo prazo, as conseqüências podem ser ainda mais perigosas. O benzeno, é associado a doenças como leucemia e alguns tipos de câncer. Segundo Woodruff, apesar dos detalhes do processo ainda não serem bem compreendidos, essa toxina entra nas células e danifica o DNA.
A combinação de todos os efeitos da contaminação nocauteia o organismo por todos os lados. Mas este ataque múltiplo não é muito conhecido, os estudos avaliam os efeitos dos produtos químicos do petróleo individualmente.
Além disso, o óleo cru ataca as pessoas de maneiras diferentes. Crianças e fetos podem ter o desenvolvimento do cérebro prejudicado pelas neurotoxinas. Os componentes do petróleo bruto podem ser absorvidos diretamente através da pele ou pulmões. Por isso, a única maneira de evitar a contaminação é manter distância ou usar equipamentos de proteção, como máscaras, botas, luvas e roupas especialmente projetadas.
O Instituto Nacional para a Segurança e Saúde Ocupacional (NIOSH) cuida da saúde dos trabalhadores envolvidos na contenção e limpeza do óleo no Golfo do México. Ele já relatam sintomas como calor e fadiga. O departamento de saúde do estado norte americano da Lousina também vai monitorar pescadores que tiveram problemas. Quando aos jornalistas que entraram em contato com a água contaminada sem proteção apropriada, o pesquisador diz: “Foi burrice. É algo que até os pássaros estão tentando evitar”.
Sobre o benzeno
Benzeno (benzene em inglês) é um líquido incolor, inflamável e com um aroma doce. Em contato com o ar, evapora-se rapidamente. Na natureza, o benzeno é liberado por processos naturais, como o vulcanismo e as queimadas, mas a maior parte da liberação de benzeno provém da atividade humana.
Benzeno é um composto sabidamente cancerígeno. Estudos demonstram que pessoas expostas ao benzeno podem desenvolver leucemia mielóide - tipo de leucemia que está ligada a má formação de células vermelhas dentro da medula óssea.
A inalação de altas concentrações do composto por um curto período de tempo pode causar sonolência, enjoo, aceleração do ritmo cardíaco, cefaleia, tremor, confusão mental e inconsciência. A ingestão de alimentos e bebidas contaminados com altos teores de benzeno pode produzir vômito, irritação no estômago, enjoo, sonolência, convulsão, aceleração do batimento cardíaco e morte. A exposição por longo prazo pode resultar em depressão da medula óssea.
Tolueno
O tolueno está presente em muitos produtos de uso doméstico e industrial e é o principal solvente envolvido no abuso de substâncias e na exposição ocupacional. O problema mais grave no estudo de patologias relacionadas ao tolueno é que este está geralmente associado, em suas preparações comerciais, a outras substâncias. O potencial tóxico do tolueno foi abordado nos seguintes aspectos: parâmetros farmacológicos; características físico-químicas; exposição; estudos clínicos; diagnóstico; pesquisa experimental; tolerância e dependência; efeitos agudos e crônicos; neurotoxicidade; teratogenicidade; doenças psiquiátricas; carcinogenicidade e tratamento. Conclui-se ser de grande importância e urgência que se realizem estudos clínicos com amostras maiores para definição mais precisa das conseqüências do uso crônico.
Xileno
Xileno é composto, quase totalmente, por hidrocarbonetos aromáticos com estreita faixa de destilação.
É essencialmente uma mistura de três isômeros – para-xileno, orto-xileno e metaxileno – com uma pequena quantidade de etilbenzeno.
Apresenta um elevado poder de solvência e um tempo de secagem superior ao do Toluol.
Xileno é largamente utilizado pelas indústrias de tintas e vernizes, sobretudo como solventes para resinas acrílicas.
É usado para dissolver a dibenzil celulose, o óleo de mamona, o óleo de linhaça e borracha.
Também é empregado como diluente pelos fabricantes de thinner e redutores, quando estes necessitam de um produto com evaporação mais lenta que o Toluol. O Xilol é utilizado ainda nas formulações de tintas de impressão e pigmentos têxteis.

Segue algumas dicas para voluntários que estarão em atividades de remoção do óleo nas praias
- Use luvas resistentes, calçados, pás e ferramentas para remoção do material.
- Ao recolher, armazenar em sacolas plásticas e resistentes
- Evite o contato com o produto em seu corpo
- Ao recolher o material, entre em contato com a defesa civil para descarte através do 199.

Cuidados com os rios e estuários de sua cidade
Ao notar alguma mancha de óleo nas proximidades de um estuário (rio que vai de encontro com o mar) em sua cidade, ligue para um órgão competente de seu município para pedir auxílio e, se possível, introduzir boias de contenção de óleo na foz desse estuário evitando assim de haver uma maior contaminação nos manguezais. O manguezal é o berçário da vida marinha, e é responsável em fornecer organismos capaz de alimentar mais de 80% das espécies marinhas e, assim como as árvores nativas de uma floresta, os manguezais ainda tem a capacidade de reter carbono quatro vezes mais de que essas outras árvores, ou seja, um grande aliado ao homem contra o aquecimento global.
Cuidado, o petróleo é um produto cancerígeno!
No fotografia, o estuário do rio São Paulo, em Candeias. Até o momento, não há vestígios de óleo na região.

Postar um comentário