Rio São Paulinho - 1 Ano Após o Desastre Ambiental...

Responsáveis pela desenvolvimento de muitas espécies da fauna, os manguezais são considerados berçários e servem como área de reprodução para peixes, moluscos e crustáceos, pois, além de servir como berçário,´esse ecossistema é responsável em fornecer alimentos e, boa parte dos peixes passam a sua fase juvenil entre os mangues, se alimentando, se protegendo de predadores e se desenvolvendo até chegar o tamanho ideal para ganhar o mar à fora. A área dos manguezais também servem como o refúgio de aves que, além de abrigarem no local, usam também a área como local de reprodução: garças, socós, martim pescador e maçaricos, são essas as aves mais vistas nas regiões de mangue, que aproveitam o local para pescar, pois, ali se concentram os seus cardápios favoritos. Estima-se que os manguezais são responsáveis por sustentar, direta ou indiretamente, 80% de todo o pescado mundial.

Na região de Pitinga, em candeias, dia 09 de Junho de 2018, exatamente há 1 ano atrás que, parte desse berçário natural foi comprometido por um desastre ambiental resultante de  uma "água oleosa" que rompeu de um duto da Petrobras; Duto esse que fazia a transferência do produto entre as estações Pedra Branca e São Paulinho, estações essa que são responsáveis em coletar o petróleo na região de Candeias e enviar para a Refinaria Landulpho Alves, onde o produto é processado e transformado em Gasolina, e depois enviado ao TEMADRE, na cidade de Madre de Deus para ser distribuído ao mercado consumidor.
Pescadores e marisqueiros naquela manhã percebiam algumas manchas de petróleo em suas redes de pesca, porém, não imaginavam de onde estava fluindo aquele produto, foi quando outros pescadores que navegava pelo canal do rio se depararam na localidade onde estava acontecendo o vazamento, foi o momento em que eles informaram aos representantes das comunidades pesqueiras sobre o que estava acontecendo na manhã daquele dia. Elivandro Paraguaçú, um dos representantes do movimento de pescadores e marisqueiros de ilha de Maré, mostrou-se revoltado com o acontecido e fez questão de nos informar sobre o derramamento do óleo.
Nesse dia, o local conhecido como "Balsa" ficou tomado de óleo e, através das informações dos pescadores e marisqueiros da região de Passé, o ocorrido foi divulgado por meio de fotos enviadas pelo aplicativo de celular e somente na segunda feira os noticiários da TV começaram, a divulgar o fato.
Em site, a Petrobras informou que o vazamento ocorreu de um metro cúbico de água oleosa em um duto, na região, e que imediatamente a companhia interrompeu a produção da linha e iniciou-se a limpeza da área. Equipes de monitoramento ambiental se deslocaram de imediato para analisar o ocorrido, e em seguida, solicitou a limpeza do rio, onde boias de contenção de óleo foram colocadas no local do desastre para que, assim, fosse evitado de o óleo se espalhar para as regiões vizinhas, porém, a grande preocupação dos moradores das cidades vizinhas é de toda essa contaminação seguir para as suas cidades com o movimento de vazante e enchente da maré.  
Na segunda feira, dia 11, houve um protesto por parte de moradores da ilha de Maré e do distrito de Passé reivindicando providência pelo desastre e pelas famílias que vivem da pesca, e que estavam inconformados com o acontecido no São Paulinho, onde a contaminação provocou desequilíbrio ao meio ambiente, interrompendo as atividades pesqueiras na região.
Nesse mesmo dia, a Petrobras, por meio de nota, informou que, até a manhã daquele dia (11), cerca de 90% da área atingida por um vazamento de três metros cúbicos de "água oleosa” foi limpa pela equipe de contingência da companhia, foi então que, na quarta feira (13) a empresa reuniu representantes das comunidades pesqueiras para dá explicações do ocorrido. A prefeitura municipal de Candeias aplicou multa sobre a Petrobras  em R$ 5 milhões de reais pelo derrame de óleo na região de Pitinga.
O ponto de pesca como "Balsa" ficou conhecido por esse nome pelo fato de, desde décadas atrás, naquele local atracava-se uma balsa que fazia serviços de deslocamentos de veículos da Petrobras no intuito de fazer manutenção dos poços de petróleo de ilha de Maré e, até o período de pouco mais de 1 ano, haviam ainda ali ferragens que identificavam que a balsa atracava-se naquele local e, ainda há pouco tempo atrás, esses destroços foram removidos daquela localidade e hoje encontra-se apenas uma rampa de concreto que também foi construída para facilitar o acesso dos carros à balsa. Através de uma imagem do Google Maps, você consegue visualizá-la (Veja). Confira numa fotografia aérea o local que foi atingido pelo óleo:
Em alguns dos experimentos realizados em laboratório, um pesquisador constatou que, quando a Laguncularia racemosa (mangue branco), uma das principais espécies de árvore que compõem os manguezais (aqui na Bahia uma quantidade de aproximadamente 30% a 40% ), é exposta ao petróleo, sofre um processo de impermeabilização, resultando na hipóxia, ou seja, incapacidade da planta de realizar as trocas gasosas, em receber oxigênio, o que decorre em grandes problemas metabólicos. Outro impacto decorrente da impermeabilização é causado pelo estresse ao calor, pois, como as trocas gasosas são reduzidas, a planta não consegue baixar sua temperatura, o que prejudica a produção de enzinas e proteínas, levando a espécie a expressar genes que respondem ao calor. Com isso, concluímos que essas plantas não têm a capacidade evolutiva para lidar com o petróleo, já que esse evento não faz parte do histórico de estresse a que geralmente estão submetidas, como inundações, salinidade e alta luminosidade”. Estudo realizado pelo  biólogo geneticista Marcio Alves-Ferreira no Laboratório de Genética e Biotecnologia Vegetal do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IB/UFRJ), que vem se dedicando a estudos que podem, no futuro, gerar um kit diagnóstico para o monitoramento das áreas costeiras ameaçadas por derramamento de óleo. "O mangue branco não possui capacidade evolutiva para lidar com o petróleo, pois este evento não faz parte do histórico de estresse a que geralmente essas plantas estão submetidas, como salinidade, falta d’água e excesso de radiação solar, cujo processo evolutivo já as preparou".
Pesquisas indicam que a restauração de um bosque atingido por óleo pode levar de 10 a 50 anos, porém, de acordo com o professor de Biociências, Daniel Brotto, a depender da gravidade do problema, a natureza jamais consegue se recuperar desses danos, pois, os impactos mais agravantes são irrecuperáveis para a natureza, que passará por diversas modificações, transformações e, no final das contas, esse ecossistema acaba se estabilizando em outro nível de estado, ou seja, não como antes, da sua forma natural.
O Manguezal reage de várias formas com esses impactos a depender da quantidade de petróleo derramado, do tipo de óleo, de sua toxicidade e do tempo de permanência do óleo no ambiente. O óleo recobre as plantas e impede as trocas gasosas, asfixiando o bosque do mangue. O derrame de petróleo pode eliminar os micróbios do solo, essenciais para o ciclo de nutrientes dos manguezais.
O Atual Estado da Região Afetada
Hoje, 1 ano após o derramamento de óleo, a região afetada encontra-se com uma ausência muito grande de frutos do mar, principalmente o caranguejo que, é o crustáceo mais avistado na região e, numa extensão de aproximadamente 1 km navegando e entrando pelo canal notamos uma ausência muito grande de frutos do mar, somente quando navegamos a uma distância considerável é que conseguimos avistar caranguejos e, com isso, acreditamos que, ainda existe uma quantidade excessiva de petróleo entranhado nos manguezais que impossibilita os mesmos de fornecer alimento para esses e outros seres, impossibilitando também o local de servir como moradia de crustáceos, moluscos e aves, dificultando também as trocas gasosas feitas através das plantas.
Peixes em fase juvenil habitam nessas regiões afim de buscar alimentos e se protegerem de diversos predadores até chegar a sua fase adulta e se tornarem independentes, além de filhotes de tubarões, arraias, pois, todas essas variedade de peixes dependem dos manguezais para sobreviverem, como foi citado no começo da postagem, sendo que essas árvores desempenham um importante papel na natureza e, ao mesmo tempo garantem também o nosso ssutento.
A região do Rio São Paulinho além de ser um berçário natural, é uma das regiões mais bonitas do município de Candeias e, mesmo sendo vítima da constante poluição química e doméstica, o berçário insiste em cumprir o seu papel na natureza, porém, com muitas dificuldades devido ao estado no qual hoje o rio se encontra atualmente. Contribua, ao praticar as suas atividades de pesca, não deixem nesse local garrafas pets, sacolas plásticas, copos descartáveis ou algo que venha contaminar o nosso estuário, e o mais importante: não desmate o mangue e evitem jogar lixo nas ruas, pois, esse lixo vai parar nos rios e mares. O grande problema do município de Candeias é ter adotado um excesso de indústrias químicas e não ter adotado técnicas de preservação ao meio ambiente; e o que percebemos na administração do município, é que se mostra não interessados em investir no meio ambiente em Candeias, mas, a ganância pelo poder econômico tem falado de forma mais intensa onde não há programas de preservação, nem por parte das indústrias e muito menos pelos órgãos do poder público municipal; O que percebemos é a permissão de um crescimento desenfreado de indústrias, visando recursos que dificilmente são investidos no município, onde, é notável para aqueles que vem ao município de Candeias pela primeira vez perceber que a pobreza supera, é como se fosse um município desprovido de qualquer ganho, é como se fosse um município sem indústrias, sem comércio e sem formas de economia. Vamos priorizar mais o mais importante, que é o meio ambiente. A natureza é a mãe que sustenta o ser humano, caso ela morra, também morreremos.
Reportagem Sobre o Desastre Exibido Pela Rede Record de Televisão

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