Moradores de povoado em ilha de Maré defende-se de acusação de padre e pede proteção de uma APA e espaço de lazer

Nesta segunda feira (09) moradores de uma pequena comunidade conhecida como "Bananeira" em Ilha de Maré, localizada na Baía-de-todos-os-santos, fizeram um protesto contra a construção de uma paróquia que, segundo eles, que são remanescentes de quilombolas, afirmaram que o projeto partiu do padre conhecido como Padre Kelmon Luis Souza que administra a paróquia de São Lázaro, na ilha, onde o padre pretende erguer o projeto numa área de lazer e proteção ambiental conhecida como "Ponta do Capim" área de manguezal e praia que a comunidade utiliza para a prática de pesca, lazer e geração de renda, onde também os moradores colocaram uma placa sinalizando como Área de preservação, porém, de acordo com os moradores, a placa foi destruída. 

Segundo o padre Kelmon, em depoimento dado ao site G1, a capela de bambu que foi erguida para celebração de missas foi destruída pelos moradores, mas, os mesmos contestam com outra versão "Não destruímos a capela! mas, de uma coisa sabemos: desde que o padre chegou aqui na região de bananeira é desentendimento a todo momento e o padre é temperamental; Nos chama de "esquerdopata" afirmou uma das marisqueiras da região. O padre afirmou também que a capela era provisória, mas que foi destruída por um grupo da localidade e que em breve a paróquia de pedra seria erguida. O padre chegou a alegar que estaria sofrendo intolerância religiosa por parte dos nativos, mas, a comunidade contra outra versão "Aqui na comunidade tem pessoas de vários credos religiosos e a gente vive muito bem uns com os outros; Essa versão contada pelo padre de intolerância religiosa, não existe!". 

Em ato de defesa, um pequeno grupo composto de pessoas de vários credos religioso se reuniu próximo ao local onde o padre pretende erguer o espaço para celebração de missas; Ali o grupo protestou contra a atitude do padre por "desrespeitar uma área de manguezal que é preservação protegida por lei federal, e que também é usada por nós como área de lazer" disse uma das líderes do movimento.  O padre Kelmon chegou também a enviar a denúncia a um programa de TV relatando que estava sendo vítima de uma perseguição religiosa, e esse foi também o motivo que levou ao grupo ter se manifestado para esclarecer que "nunca houve discriminação religiosa por parte da comunidade".

Ponta do Capim é uma pequena praia que lota em dias de verão, além dela, existem na ilha várias praias, sendo as principais conhecidas como: Itamoabo, Praia das Neves, Praia Grande, Praia de Santana e Botelho. A pequena praia de Ponta do Capim fica à frente da ilha do Topete e é um espaço que também é utilizado pelos moradores para a celebração de eventos, palestras e como ponto de venda, afim de alavancar o turismo na região.

A comunidade de Bananeira, que carrega consigo as marcas da escravidão, e é composta por pessoas de vida simples que vivem da pesca artesanal e que, ao longo dos anos, vem lutando contra diversos empreendimentos que visam comprometer as principais reservas protegidas pela constituição federal e que são importantes para o pescador; Reservas essas que hoje estão ameaçadas pelo poder econômico que vem sendo instalados dia-após-dia em áreas de grande produtividades pesqueiras, a exemplo da Baía de Aratu e Rio São Paulo, estuários esses que recebem despejos e resíduos residencial e industrial comprometendo a qualidade de vida dos ecossistemas, dos crustáceos e moluscos, principal fonte de renda das várias comunidades.

Atualizado em 10/11/2020