igreja Nossa Senhora da Encarnação de Passé

A Igreja Matriz com alpendre lateral e duas torres inacabadas. O edifício era recoberto por um único telhado de duas águas. Trata-se de uma igreja do final do século XVII, modificada na segunda metade do século XVIII, quando foram introduzidas vergas em arco abatido, com cornija curva e frontão recortado. Esta é talvez a mais antiga igreja baiana, com uma galeria dupla aberta para o exterior. A fachada frontal possuía portada central ladeada por duas janelas, e quatro janelas de coro com verga em arco abatido. O interior era telha vã, com exceção da capela-mor, que apresentava forro de madeira em abóbada abatida. Nave e sacristia ainda possuem piso de lajotas de barro. Os elementos em pedra que persistiam eram: portada e cercaduras de janelas, cunhais, arco-cruzeiro, embasamento da capela-mor, bacia do púlpito, lavabo, pia de água benta e pia batismal. Já não existem os altares primitivos. Merece destaque a existência de uma barra de azulejos seiscentistas sob o coro, do tipo tapete, nas cores azul e amarelo sobre fundo branco. As Ruínas da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Encarnação de Passé está situada sobre uma elevação que cai bruscamente sobre a Baía de Todos os Santos. No sopé desta colina e à beira d’água, está a pequena povoação de Passé. 
Em frente à igreja, existia um cruzeiro ladeado por uma casa e um barracão. Do adro da igreja se descortina vista da Baía de Todos os Santos, destacando-se em primeiro plano a Ilha de Maré. 
Sepultamentos feitos no interior da igreja de N. Srª da Encarnação do Passé revelam nomes de famílias endinheiradas e de grande prestígio, pois a igreja católica cobrava caro para sepultar alguém "perto de Deus", pois se acreditava que quanto mais perto estivesse o falecido do altar, mais próximo dos céus estaria a sua alma. vale salientar que no ano de 1850 o imperador D. Pedro II proibiu o enterro de pessoas no interior das igrejas, mas em Passé esse costume desafiou o decreto imperial. Na sala da sacristia, por exemplo, foi sepultado em 01 de Março de 1883, Manoel Moreira do Vale. Outro túmulo, de uma jovem falecida logo após ter completado 20 anos de idade e preparando-se para casar, além de provocar a emoção de quem o lê, também chama a atenção pela data: 1932, em pleno século XX, quase cem anos apóss a proibição! na lápide da jovem está escrito: "aqui dorme o sonno angélico dos bens aventurados. A Sempre chorada, e nunca esquecida Maria Bertholina Gomes Betuca. Nascida 10 de Outubro de 1912. Felicida a 12 de Outubro  de 1932. Saudades Eterna e immarcessível, orvalhada de pranto, do coração amargurado dos seus eztremosos e desolados paes, e de seus irmãos e parentes. uma lágrima, sincera e immoredoira, de dor e de saudade, de seu inconsolável noivo. Glória a sua Bommissima e santa alma. 
Os últimos registros de intervenções realizadas no interior da igreja de Nossa senhora da encarnação do Passé, datam de 1944, com a construção de um nicho, "doado por Don Alice Castro Silveira, Brazilia Castro, Virginia Castro e Cândida R. Mendonça"; e de 1950, quando foram feitos "melhoramentos em homenagem, às memórias de Alfredo de França Rocha, Eufrosina Correia da França, e e Alfredo Rocha.
Anúncio

Um comentário:

  1. CIVILIZAÇÃO MEDITERRÂNEA. — AS ESPECIARIAS. — PORTUGAL. — AS NAVEGAÇÕES. — COMÉRCIO. — AS ÍNDIAS. — O BRASIL. ! A comunicação entre homens é a causa primeira da civilização: nestes contactos, a convivência multiplica ações e reações psicológicas, que se tornam experiências e colaborações inovadoras e afinam o homem em sentimento, inteligência, vontade, como fazem iniciativas, empresas, progresso social. O maior incentivo da comunicação é o interesse, todos os interesses, dos mais imediatos e prementes, aos mais transcendentes e espirituais. O gozo comum das utilidades, depois a fruição pessoal delas, a troca entre posses, finalmente o tráfico — trabalho, indústria, comércio, já civilizado ou intercâmbio. Montesquieu pôde, pois, dizer: “A história do comércio é a história da comunicação dos povos”. Antes de um domínio, de qualquer maneira social, os Gregos disseminados pela bacia do Mediterrâneo, entre si comunicantes, criaram mais do que a Grécia, — Creta, Micenas, Argos, Esparta, Tebas, Atenas... efêmeras expressões políticas — fatos apenas mais impressionantes — criaram o Helenismo, disperso por todo o Mediterrâneo, fazendo ao mundo de então, e ainda ao de hoje, uma incomparável irradiação de poder, indústria, espírito e moral, que conquistaram a terra. E, do Mediterrâneo, essa cultura transbordou e penetrou em continentes longínquos: antes de Alexandre chegar às Índias, traficantes gregos tinham chegado à China. Antes de os Cruzados nórdicos virem civilizar-se no Mediterrâneo, ao contacto do Império Cristão do Oriente, já Fenícios, Cartagineses, Gregos, Romanos tinham devassado o Mar do Norte, até a última Tule. O périplo de Hamon é meio circuito da África. Ofir ou Sofira, na Bíblia, é Sofala, na Índia. A comunicação fora acendendo pequenos focos de cultura, dispensando o prestígio político, tardio e ineficiente para tanto. A Europa conheceu o Oriente, que lhe veio, penosamente, pelas caravanas, da Índia ao Mediterrâneo.

    ResponderExcluir